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Não às grades na Biblioteca Mário de Andrade - Um edifício público

A principal característica de um edifício público é o livre acesso por parte da população. Por livre acessibilidade entende-se a possibilidade de acesso universal, independente de características individuais, limitações ou renda. Um edifício público em uma praça pública é público ao quadrado. A definição de público é relativa ao povo, destinado ao povo, à coletividade. Uma praça pública é o melhor exemplo do chão público, da cidade onde somos cidadãos e encontramos nossos conterrâneos – é a própria cidade.

A principal característica de um edifício público é o livre acesso por parte da população. Por livre acessibilidade entende-se a possibilidade de acesso universal, independente de características individuais, limitações ou renda. Um edifício público em uma praça pública é público ao quadrado. A definição de público é relativa ao povo, destinado ao povo, à coletividade. Uma praça pública é o melhor exemplo do chão público, da cidade onde somos cidadãos e encontramos nossos conterrâneos – é a própria cidade.

A principal característica de um edifício público é o livre acesso por parte da população. Por livre acessibilidade entende-se a possibilidade de acesso universal, independente de características individuais, limitações ou renda. Um edifício público em uma praça pública é público ao quadrado. A definição de público é relativa ao povo, destinado ao povo, à coletividade. Uma praça pública é o melhor exemplo do chão público, da cidade onde somos cidadãos e encontramos nossos conterrâneos – é a própria cidade.

O projeto de restauro (diferente do que foi executado) abordou como prioritária a premissa de recuperação do caráter público do edifício apresentando duas soluções: a valorização da calçada da Rua da Consolação, criando um terraço debruçado sobre o que seria uma das calçadas mais generosas da cidade, e a criação de uma plataforma de acesso resolvendo o desnível entre edifício e praça D. José Gaspar. A solução proposta e não construída viabiliza a acessibilidade e segurança, cria palcos de manifestações culturais e cria um remanso na correria do dia a dia da cidade para leituras, conversas e encontros. Porém continuam as grades, o estacionamento privativo, e o prédio não tem acesso pela praça.

Uma busca do entendimento das razões que levam ao abandono das diretrizes indica algumas hipóteses. A primeira hipótese para a manutenção das grades é o medo. Medo de assalto, de depredação, de pichação, medo dos outros, como se os “outros” não fossemos nós mesmos. O Estado é o responsável pela nossa segurança pessoal e do patrimônio, seja este privado ou público. No caso de edifícios privados, o descrédito da população na efetiva garantia desta segurança ergue muros e contrata segurança privada, gerando uma cidade exclusora. No caso de prédios públicos, recorrer à solução de grades é a assinatura de descrédito total na própria capacidade de administração do bem publico.

Outra hipótese é a falta de sentimento público, que vai contra o reconhecimento da importância do significado do acervo da BMA. Este acervo conta a história de um pensamento critico e criativo que sempre buscou desenhar nossa identidade. Somos diferentes e a convivência com a diferença é a democracia. Para garantir a presença destas idéias diante das futuras gerações, este acervo não deve ser guardado atrás de grades, mas disponibilizado de forma moderna, com a segurança que todos os recursos tecnológicos disponíveis de hoje proporcionam.

A cultura do privilégio que acompanha a história da nossa sociedade é outra possibilidade das mudanças no projeto. Para que manter o “estacionamento privativo” para funcionários ou autoridades em plena Praça Dom José Gaspar? O público vai à biblioteca de transporte coletivo, a carga e a descarga de material são esporádicas e estão contempladas no projeto de forma funcional. Os funcionários podem usar transporte coletivo, e as autoridades, da mesma forma que trafegam por vias públicas, podem acessar prédios públicos com segurança. A leitura não deve ser vista como um privilégio de poucos e sim como instrumento de inserção social de todos independente de sua aparência, convicção ou classe social.

O objetivo que inseriu o Projeto da Biblioteca Mario de Andrade no programa de Recuperação do Centro não foi cumprido totalmente, não ocorreu a extroversão para a cidade da qualidade empreendida internamente ao edifício. O projeto e obra de restauro da Biblioteca Mario de Andrade é simbólico pela sua importância histórica e pelo significado no processo de recuperação da região central da cidade. A Biblioteca reformada é um presente para a Cidade, recuperação de uma jóia que estava escurecida e esmaecida. O anexo da Biblioteca esta em obras em edifico ao lado e será brevemente concluído, assim o conjunto estará completo. Administradores, Diretorias de instituições públicas vão e vêm, as obras sobrevivem às diversas gestões e o que fica é o resultado da atitude do administrador sobre o medo, sobre o privilégio e sobre a arte. A sociedade convive diariamente com estas cicatrizes – ou com estas jóias, como a Biblioteca Mário de Andrade.



José Armenio de Brito Cruz